PUNHAL DA SAUDADE (MODA DE VIOLA)

 

Dupla: Sulino e Olavo Honório

 

Autor: Sulino

 

Tem dias que eu fico triste com os ares do mê de agosto

Coração fica amarrado e o pranto rola no rosto

Eu que éra tão alegre pra tudo eu éra disposto

Hoje eu vivo aborrecido pra mais nada tenho gosto

Os prazeres pra mim morreram hoje só resta desgosto

Quando eu escuto dois peitos cantando aduetado

De tanto que eu apreceio chego a sonhar acordado

No espelho da mente eu vejo a terra que eu fui criado

E os tempos da mocidade que sempre será lembrado

E os anos se encarregaram de sepultar no passado

Vejo as noites de luar e as campinas orvalhadas

As estrelas sintilantes no romper da madrugada

Rojão subindo pros ares e as festanças animadas

E os catireiros dançando de bota e espora prateada

Eu com a viola no peito cantando modas dobradas

Vejo os parentes e amigos e os meus pais que eu tanto quis

Nós ali tudo reunido naquele mundão feliz

Agora no fim da vida lembrando tudo o que eu fiz

A malvada da saudade no peito faz cicatriz

Quanto mais quero esquecer mais ela cria raiz

Neste mundo de ilusão nossa vida é uma estrada

A morte é o maior presente pra quem não espera mais nada

Feliz de quem já venceu a mais longa caminhada

Já não sente mais no peito as profundas punhaladas

E o punhal da saudade crava na mente cansada

 

Faixas: 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11 - 12 - 13 - 14